As sementes da descoberta flutuam constantemente à nossa volta, mas apenas lançam raízes nas mentes bem preparadas para recebê-las

Monday, 9 April 2007


Divagações Prosaicas II


A sensibilidade à flor da pele aquece.
E a emoção ganha espaço.
Esse espaço que nos envolve. O nosso espaço . A intimidade fictícia , que se dá para receber.
O querer voar em círculos , sentindo a simplicidade de um vento , sem o peso de uma regra.
O nós é um ponto de partida e outro de chegada.
Sem uniformidade, pois esta destroí o sentido do eu.
Se o eu faz sentido ? Ou será que o único sentido é a noção do eu ?
Se eu fosse sentido era uma linha recta em direcção ao infinito.
Divagações Prosaicas

Entregas-te aos segundos angustiantes da hesitação, os quais vais queimando… indecisa. Resgatando à memória, o ardor de escassos e tremulentos beijos que um dia saboreaste…essa única vez…procuras, no meio dessas cinzas, vestígios de um verdadeiro amor…e, assim, adias por mais um longo segundo, essa decisão. Ergues-te das altas paredes desse amor insano, olhas para baixo e mergulhas nas asas do vento, e… agora na plenitude da certeza de que estás a cair, deixas-te ir sem sequer esticar as tuas asas…fechas os olhos e vives… vives cada sabor que o vento te oferece a provar… na descida… gostas do arrepio que te invade o corpo, e dos pés à cabeça…vives! Transbordam cores que a tua retina desconhecia…furas esse doce algodão que antes chamavas de nuvem…sentes-te viva…
Onde aterrar..? Mais uma vez a duvida consome-te…rodopias envolta nos teus medos, sem um abrigo onde repousar. A incerteza ou a certeza, não sabes bem, o teu mais brilhante amor…sim parecia-te certo, inderrubável. Sim, “as certezas do meu mais brilhante amor” poder-se-iam chamar assim essas páginas da tua vida. Certezas? Hoje, podes bebê-las… de um copo vazio. Certeza? No suspiro das promessas, na ansiedade de cada beijo. Ignoraste a fragilidade das palavras resgatando o seu sorriso, acordaste o seu ciúme na fome pelo seu amor…Abraçaste no escuro, tudo o que não se vislumbra de dia…”uma noite sem ti…um dia menos para a morte; trouxeste de volta a água, nos teus olhos posso então mergulhar e nadar, na tua boca volto a sentir o doce e o amargo, nos teus braços perco a orfandade…” - dizias com essa voz penosamente apaixonada. Mais um dia que passou, entre arcos e arcos de solidão, uma só gota, uma lágrima… solidão de pedra escura, secretamente morta na palma da tua mão. Restam-te imagens…as imagens que usas para afogar cada segundo em que lembras o seu sorriso…e, ainda assim, não consegues matar a sede de o veres mais uma vez. Esquecer…? Sim, querias tudo esquecer, tudo abandonar…fugir em direcção à solidão, vociferar contra a luz…perderes-te em ti própria.
Só isso…

Assim fica baptizado o meu 1º blog...sim, tambem tenho um blog - "Sementes da descoberta"...ocorreu-me este nome ao pensar na forma como descobri o mundo blog...na ausencia de tempo considerei esta, uma descoberta ocasional, nas minhas curtas incursões pelo mundo cibernauta. Um bafejo de "Serendipity" ou Serendipidade (ainda um neologismo pois não consta nos dicionários) e que, como a palava significa, descoberta por acidente de algo bom ou valioso enquanto se tenta descobrir uma outra coisa. Et voilá: mais um blog!
A história de três príncipes que eram privilegiados não apenas pela ascendência nobre (principes de Serendip) mas também, e principalmente, pelo “dom” para os descobrimentos fortuitos. Conta a história que esses três personagens encontravam, sem procurar, a resposta para problemas que não haviam sido propostos. E que, graças à capacidade de observação e sagacidade descobriam, “acidentalmente”, a solução para dilemas impensados. Esta característica tornava-os especiais e importantes. É, segundo alguns autores, uma das formas mais expressivas da criatividade, pois as descobertas por serendipidade são sempre uma combinação de “acidente” e “sagacidade”. As descobertas científicas são, muitas vezes, resultado da soma de inteligência, perseverança, espírito crítico e sentido de observação.
O desenvolvimento tecnológico é também muitas vezes resultado de alguma forma de serendipidade: encontrar novas utilidades para uma coisa que tenha sido concebida para outro fim (ou para coisas que não tenham funcionado para o fim a que se destinavam originalmente). Um exemplo foi a descoberta do Pyrex. Parece que uns cromos de uma empresa americana ao procurarem produzir globos com uma resistência especial para iluminação publica acabaram a dar de caras com este utensilio que as nossas mães, avós (la vem a descrição machista...) tanto falam quando se enfiam na cozinha. Muitas outras coisas com as quais convivemos diariamente são resultados da serendipidade: a linha telefónica não foi inventada para transmitir informações de computador. O próprio computador não foi inventado para ser uma usado da forma tão banalizada como é usado hoje em dia.
A importância da serendipidade é que ela permite perceber que resultados aparentemente errados ou inadequados para a solução de um problema, podem ser absolutamente revolucionários se aplicados a outro problema ou em outra circunstancia.
E extrapolando estupidamente para o campo do afecto...as pessoas que ao se relacionarem intimamente se dão conta de terem mergulhado numa inexplicavel infelicidade, anedonia, rotina, desrespeito por si e pelo outro, e acabam em ruptura... assim, podemos inferir (à luz duma qualquer corrente romântica de pensamento) que estas duas pessoas n foram feitas uma para outra. Mas sabemos por outro lado (à luz de uma outra qualquer corrente pragmática dos afectos) que estas duas pessoas terão alguem que irão encontrar ao acaso pelo caminho, que as irão fazer felizes. Assim que a serendipidade nos acompanhe a todos nós nesta vida. Seja laboralmente, seja noutras facetas importantes da nossa vida, como são as relações de afecto entre duas pessoas.