As sementes da descoberta flutuam constantemente à nossa volta, mas apenas lançam raízes nas mentes bem preparadas para recebê-las

Sunday, 9 December 2007

Momentos dum Amor



Nos transportes do amor, na conversa com a amada, nos favores que recebes dela, até nos mais extremos, vais mais em busca da felicidade do que à tentação de provar isso de que o teu coração agitado sente uma grande falta, um não-sei-quê de menos do que ele esperava, um desejo de algo, mesmo de muito mais. Os melhores momentos do amor são aqueles de uma tranquila e doce melancolia em que choras e não sabes porquê, e te resignas quase na quietude a um infortúnio que desconheces. Nessa quietude, a tua alma está quase cumulada, e quase sente o gosto da felicidade. Assim como no amor, que é o estado da alma mais rico de prazeres e ilusões, a melhor parte, a via mais correcta para o prazer e para uma sombra de felicidade é a dor. E é essa condição tantas vezes imposta, auto-imposta e que tu agora impões. Tens esse direito, ainda que não tenhas consciência que não te ajudará a sentir mais e melhor. Mas precisas e eu compreendo isso. Também quero que tu percebas mais à frente e que ao olhar para trás não duvides.

A Perturbação do Último Acontecimento


A vida de uma pessoa consiste num conjunto de acontecimentos no qual o último poderia mesmo mudar o sentido de todo o conjunto, não porque conte mais do que os precedentes mas porque, uma vez incluídos na vida, os acontecimentos dispõem-se segundo uma ordem que não é cronológica mas que corresponde a uma arquitectura interna.

Não existem amores feios nem prisões belas...

Dissertações de uma mente confusa e surpresa...nem sempre as sementes da descoberta são algo que queiramos ver dar caule e raiz. De facto de onde menos e quando menos se espera...brota a descoberta que pensava não ter espaço para existir, não ter espaço para acontecer. Mas aconteceu, porque não foste cuidada, não cuidaste. Quem ama cuida, trata, protege, ainda que por vezes não saiba como. Fizeste-me acreditar, ensinaste-me o que julgo impossivel alguem me transmitir...mas tu sem querer deste-me isso. E amo-te por isso...e por muito mais... Ensinaste-me que o amor se encontra nas diferenças. Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito, e tu sabes que eu sofria dessa estupida condição. Mas fizeste-me ultrapassar isso e sem temor. Ainda assim fomos capazes de deitar essa pedra preciosa, essa semente da descoberta, pela janela. Outra grande descoberta se seguiu...mais uma vez...o amor só encontra o seu significado no momento da separação. Nesta calma segura e certa, acreditando que esse amor é inderrubável e sabendo que a distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo, apagando o pequeno, inflamando o grande, permiti com uma calma imprópria de quem ama, que te afastasses de mim, seguro que essas palavras, eram ditas sem crença, eram ditas cheias de vazio, como se não fosse uma despedida.
Aprendi...de facto! Estava enganado...não quiseste continuar a sentir...a acreditar...não te censuro. A culpa é minha. Mas nada te dá direito à incoerência, à incongruência! Sobretudo eu exijo-te esse respeito, o meu amor exige-te isso. Compraste esta luta, se bem percebo e se o que dizes é verdade. Também ja a comprei...ha mais tempo que tu...e perdi! Perdi essa guerra de lutar contra um sentimento. Perdi a duvida dum sentimento e conquistei a certeza doutro - o amor que sinto por ti. É tolo quem se quer opor ao amor, como se pudesse lutar com ele. Fui tolo uma vez, duas talvez...mas chega. e Cheguei a esse ponto, seguro e certo. Queria com tanta força...que só isso, pensei, seria o bastante... De facto não se encontra aquilo se procura mas o que se encontra. Nem mais. Mas encontro, encontrei, encontro-me...sozinho, e ja não te vejo. Queres essa guerra, queres lutar, queres sair vitoriosa. Se for amor o que tens em ti, não é doença que consigas ganhar em batalha. (todo o amante é um soldado: até Cupido tem os seus acampamentos). Mas nesse trajecto, nessa dura batalha morre sempre algo mais. Penso que nada é difícil para quem ama, e se realmente é essa a nossa condição, então...isso chega-me! Hoje aquilo que senti obriga-me a olhar para ti de uma forma que não reconheço, sobretudo que não amo. É algo que te distorce, que me aprte e me contorce, que memagoa. Não é essa pessoa que eu tanto quero. Não podes ser assim. Não acredito